Os 100 primeiros dias do bebê

Nove meses de espera, enjoos, pés inchados, compras de enxoval até que, finalmente, você tem o seu bebê nos braços. Mas como serão os primeiros dias dessa nova vida juntos? Prepare-se para esse momento que vai marcar o início de uma grande história de amor entre você e o seu filho, conta a Revista Crescer:

  Gabriel Rinaldi

Chorar, mamar, arrotar, sujar a fralda, dormir. É basicamente isso que seu filho vai fazer durante os 100 primeiros dias de vida. E, entre uma mamada ou um soninho e outro, você vai ter a certeza de que ele sorriu, balbuciou, reconheceu sua voz… Esse é um período justamente de reconhecimento, de conhecimento, de experiência. Mas, principalmente, de adaptação a uma rotina completamente diferente de tudo que você já viveu. E a aventura começa logo que seu filho sai da maternidade: ele está mais magro do que quando nasceu. Isso é normal? Será que ele está bem? Tudo isso você vai descobrindo aos poucos, conversando com o pediatra, lendo sobre o assunto e trocando informações com outros pais. É nesse período também que a família vai achar uma nova organização para a casa, e que pai e mãe encontrarão um ritmo para garantir que o bebê aprenda a mamar, a dormir, a se comunicar e a conquistar lentamente a sua independência. Apesar de nem sempre ser uma fase tranquila, acredite ou não, você vai sentir saudade até das noites em claro com o pequeno no colo. Porque é verdade, sim, que as crianças crescem rápido e cada etapa é diferente. Então, para ajudar você a superar aquele frio na barriga do começo, contamos aqui o que esperar dos primeiros 100 dias do bebê, desde a amamentação até o banho, e como lidar com as transformações que a chegada de um filho traz para a vida da família.

Amamentação

Pode se preparar: grande parte desses 100 primeiros dias você passará sentada, com seu filho no colo, alimentando-o. Não tem sensação mais prazerosa! E ela vai trazer benefícios para vocês dois: pesquisas já mostraram que, além de colaborar para a formação do sistema imunológico da criança e prevenir alergias, o aleitamento materno pode ajudá-la a ter melhor desempenho nos estudos, além de proteger a mãe contra doenças cardiovasculares.

A primeira mamada deve acontecer logo depois do nascimento ou, se houve alguma complicação, assim que você e seu filho estiverem bem. Nesse caso, peça para as enfermeiras não usarem mamadeira e sim uma colherzinha para oferecer o leite, para que ele não acostume com o bico plástico. O processo deve começar o quanto antes para estimular a descida do leite, o que pode demorar de 48 a 96 horas. Enquanto isso, o que vem é o colostro, um líquido que ajuda a nutrir e proteger o organismo da criança nos primeiros dias de vida.

Apesar de ser algo instintivo, a amamentação nem sempre é fácil. Você e seu filho precisam descobrir, juntos, de que forma ela vai funcionar. A equipe da maternidade pode ajudar com técnicas para ensinar a pega e posicionar o bebê, e, se você tiver qualquer dúvida em casa, ligue para o obstetra. O importante é não desistir e beber, em média, três litros de água por dia. Isso ajuda na formação do leite – sem contar que você terá muita sede.

Nas primeiras semanas, ofereça a mama sempre que seu filho chorar. As mamadas costumam durar de 15 a 20 minutos, com intervalos de duas a quatro horas. No início, alguns especialistas recomendam oferecer apenas um dos seios a cada mamada, e alterná-los quando a amamentação estiver mais tranquila. Sobre acordar ou não o bebê para alimentá-lo, converse com seu pediatra. Ele pode aconselhar que você só ofereça a mama à noite se a criança chorar.

Por razões fisiológicas ou emocionais, a amamentação pode não ocorrer de jeito nenhum. Aí, o médico vai indicar fórmulas infantis, que usam leite de vaca ou de soja modificado. E nada de culpa! Mesmo sem amamentar, estar com o bebê no colo, acalentando e oferecendo a mamadeira, também é uma forma de oferecer segurança.

Arroto

Segure o bebê na posição vertical, junto ao seu ombro, até ouvir o arroto ou por 20 minutos, no máximo. Se ele mama no peito, vai arrotar pouco, porque ingere menos ar durante a amamentação. Já quem toma mamadeira ou tem refluxo fisiológico solta mais ar. Agora, se ele nunca arrotar, converse com o pediatra.

Cólica

Seu filho chora, chora, chora, e não é fome, sono ou fralda suja. Pode ser as temidas cólicas, dores abdominais comuns a partir dos 15 dias de vida. A boa notícia é que elas vão diminuindo e desaparecem por volta dos 3 meses. Uma das explicações para o problema é que o sistema digestivo do bebê ainda não funciona plenamente. A alimentação da mãe também pode influenciar e os especialistas recomendam evitar café, refrigerantes e até chocolate. Para atenuar o desconforto, mantenha o abdômen do seu filho quentinho e coloque-o de barriga para baixo ou junto ao peito. Também vale ajudá-lo a evacuar empurrando as perninhas flexionadas.

Sono

Como lidar com o dorme e acorda dos primeiros meses? A resposta é: durma também! O sono do bebê precisa de um tempo para amadurecer e é normal que ele acorde após uma ou duas horas no começo. Portanto, aproveite para descansar junto com seu filho – e tenha paciência nessa fase… Até o quarto mês, melhora! Também vale lembrar que a criança deve dormir sem travesseiro, para evitar sufocamento, e de barriga para cima, o que diminui os riscos da morte súbita, uma síndrome sem causa conhecida que pode levar ao óbito em segundos. Segundo a Academia Americana de Pediatria, durante o primeiro mês a recomendação é que o bebê durma no quarto dos pais – mas nunca na mesma cama! – para facilitar a amamentação e ajudar a monitorar a criança. A partir do segundo mês, a decisão é sua: se não se incomodar em levantar para amamentar e checar se está tudo bem, ele já pode dormir sozinho.

Choro

Por alguns meses, o choro é a única maneira que seu filho vai ter para se comunicar com você. Nos primeiros 15 dias, quase sempre ele pode ser interpretado como fome. Passado esse período, já é possível diferenciar quando é fralda suja, febre ou vontade de comer. O bebê também dá alguns sinais físicos! Quando está com fome, por exemplo, começa a procurar o seio com a boca ou suga a mãozinha. Se for só vontade de colo – o que você pode dar sem culpa –, ele vai se acalmar assim que você o segurar.

Frio e calor

É verdade que seu bebê é mais sensível à variação da temperatura, por ter menos gordura corporal, mas isso não significa vesti-lo com cinco roupas a mais. Uma camada extra já é o suficiente, segundo recomendação da Academia Americana de Pediatria. O calor pode fazer com que ele chore de desconforto, por isso fique atento. Deixe o cobertor preso embaixo do colchão por segurança, e se ele não ficar coberto, use um macacão mais quentinho na hora de dormir.

Umbigo

O coto umbilical exige um cuidado simples, mas que deve ser repetido três vezes ao dia. Basta limpar a região com álcool 70% e hastes flexíveis. Levante o que restou do cordão delicadamente e passe a haste na base dele, em movimentos circulares. Ele costuma cair na primeira semana, mas pode demorar 20 dias.

Higiene

Prepare o banho do seu bebê com água morna, em torno de 36ºC. Para saber se a temperatura está correta, não precisa de termômetro: basta colocar o cotovelo e ver se está quentinho. Deixe o nível da água baixo, assim você não se preocupa com o risco de o bebê escorregar e se afogar. Use sabonete neutro para não ressecar nem agredir a pele. Se quiser mais hidratação, coloque algumas gotas de óleo de banho na água, mas evite passar hidratante. Também vale a pena trocar o bebê no mesmo local onde ele tomou banho, seja no banheiro ou no quarto, para evitar o choque térmico. Ah, e mesmo que ele seja cabeludo, não use secador de cabelo, pois a temperatura e o barulho são altos demais. Apenas seque bem os fios com uma toalha. Outro cuidado importante é cortar as unhas do bebê assim que aparecer a parte branca, usando uma tesoura ou cortador infantil. É só apertar a pontinha do dedo e aparar o que sobra com um movimento reto. O melhor é fazer isso com a criança dormindo.

Crescimento

Você sabia que seu bebê sai da maternidade mais magro do que quando nasceu? É normal perder até 10% do peso. Isso acontece porque a mamada ainda não está adequada e existe uma perda fisiológica, que vem tanto com a evacuação quanto com a diminuição do inchaço e a perda de líquido. A criança volta a ganhar peso por volta do décimo dia, engordando cerca de 30 gramas diariamente. Em tamanho, o bebê cresce por volta de oito centímetros nos primeiro trimestre. Nessa fase, seu filho ainda é molinho e não interage muito. O que você pode esperar são alguns reflexos, como um sorriso, que aparece nos primeiros 15 dias e se torna mais social por volta do terceiro mês. É nesse momento que a cabeça fica mais firme, o ombro mais ereto e o movimento das pernas e braços mais intenso. Logo ele começa a emitir alguns sons, como “gu gu”, e a acompanhar com os olhos os movimentos. Nesse período, é interessante colocar um móbile em cima do berço para estimular a visão, a uma distância de 25 centímetros de altura e na região dos pés da criança.

Moleira

Quem nunca teve medo de machucar aquela parte molinha da cabeça do bebê? Existem, na verdade, duas moleiras, também chamadas de fontanelas: uma pequena, atrás da cabeça, e outra no alto dela, mais evidente e conhecida por todo mundo. Quando seu filho nasce, a maior tem, em média, dois centímetros de diâmetro, e ambas vão diminuindo até fechar, por volta dos três meses. Isso faz parte do processo de consolidação óssea da criança. Conforme o crânio aumenta, a moleira diminui. Apesar da flacidez dela, você não precisa ter cuidados especiais. Basta evitar tocá-la. O mais importante é acompanhar as medidas da circunferência craniana junto com o pediatra, para saber se o desenvolvimento está acontecendo em ritmo normal.

Saúde

Qualquer pinta diferente que apareça no seu filho vai ser motivo de preocupação. A maioria desses sinais é normal e passa com o tempo. É o caso da acne do recém-nascido, um processo de adaptação da pele do bebê. Essa dermatite é inofensiva, mas você pode fazer compressas de algodão e água fria duas vezes ao dia para ajudar. As manchas de nascença aparecem por conta da dilatação de vasos de sangue e tendem a sumir ao longo da vida. É comum, ainda, o cabelo cair, mas as falhas são preenchidas conforme o bebê cresce. O que mais preocupa os pais é a icterícia, um tom amarelado da pele que aparece a partir do segundo dia por uma dificuldade do fígado de eliminar esse pigmento, e é benigno na maioria dos casos. Ainda assim, o pediatra precisa avaliar para saber se é necessário algum cuidado especial, como banho de luz.

Outro problema que pode aparecer é uma leve conjuntivite. Pode ser uma reação ao colírio que é pingado justamente para evitar a doença ou uma obstrução natural do canal lacrimal, comum nos primeiros meses de vida. Nos dois casos, o pediatra precisa observar, mas, normalmente, passar gaze com soro fisiológico ajuda. Já se você ouvir alguns soluços, fique tranquilo, é só imaturidade do músculo do diafragma. Agora, febre nos primeiros meses é um sinal de alerta e você deve levar seu filho ao pronto-socorro. Como eles ainda respondem mal a viroses e infecções, quanto antes um médico avaliar, melhor.

Ao nascer, seu filho vai receber a vacina BCG, para tuberculose, e a primeira dose da Hepatite B. Com 1 mês, é dada a segunda dose da Hepatite B, e, com 2 meses, a primeira dose da Tríplice Bacteriana. Já aos 3 meses, há a vacina de rotavírus e a primeira dose de Meningogócica. Segure o choro nessas ocasiões! E nada de dar antitérmico antes. Pesquisas mostram que o paracetamol pode atrapalhar a resposta imunológica do organismo à vacina.

Passeios

Sim, seu filho é o bebê mais lindo que existe e você está louco para sair por aí mostrando-o para o mundo. Muita calma. Pense que seu pequeno passou nove meses dentro do útero, um lugar calmo e silencioso, e, de repente, se deparou com uma infinidade de sons, movimentos e novas temperaturas. Não é fácil absorver tanta informação! Para minimizar o choque inicial, evite sair de casa com ele no primeiro mês. Depois disso, vocês já podem visitar os familiares e ir à pracinha tomar sol por alguns minutos. Passeios mais longos só depois de 2 meses e meio. No carro, o bebê conforto deve ser posicionado no banco traseiro, de costas para o painel, até seu filho completar 1 ano de idade ou 10 quilos. A partir de 1 ano, ele já pode passar para a cadeirinha, de frente para o painel, presa pelo cinto de segurança. Quando for colocar o bebê conforto no carrinho, tudo bem deixá-lo virado para você, até porque fica mais fácil de ver como está a criança. Quando ela crescer um pouco mais, aí, sim, deve ficar virado para frente, para poder ver o mundo e interagir com ele.

Chupeta ainda não

Os especialistas dividem opiniões sobre o uso da chupeta, mas todos recomendam não oferecê-la antes dos três meses de vida. Isso porque, na maioria das vezes, o bebê chora de fome, então a chupeta não teria a função tranquilizadora. Caso você opte por usá-la, espere passar esses 100 dias, inclusive para que a amamentação esteja bem estabelecida e o novo hábito não atrapalhe as mamadas.

Troca de fralda

Por dia, o recém-nascido faz em média seis xixis e três cocôs. Inicialmente, o intestino libera o mecônio, um cocô verde-escuro, e é normal ficar sem evacuar até três dias. O ideal é trocar a fralda suja o mais rápido possível e, de preferência, antes das mamadas, pois fazer isso depois pode facilitar que o bebê regurgite. Limpe a área com algodão e água morna e só use o lenço umedecido em emergências. Os cremes de proteção ou de barreira não são obrigatórios, mas você pode passar uma camada leve e fina para prevenir assaduras.

Consulta ao pediatra

A primeira visita ao médico do seu filho deve acontecer no máximo três dias depois que ele sair da maternidade para avaliar o ganho de peso, as funções fisiológicas, a amamentação, e também tirar as dúvidas dos pais, que são muitas nesse momento. Vale anotar o que você quer perguntar para não se esquecer de nada! As próximas consultas serão mensais.

 

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