A convivência ajuda as crianças a aprenderem valores

Os animais devem ser vacinados para a chegada do bebê

Quando a pequena Renata nasceu, a família da psicóloga Sandra Assis teve problemas em saber o que fazer com o adorável vira-lata da família, que a fazia chorar com seus latidos e, anos mais tarde, a fazia espirrar. A solução foi mantê-lo longe do bebê, deixando-o no quintal.Porém, depois que ele morreu e todos já estavam acostumados sem o bicho de estimação, o maior desejo da caçula virou: ter um cachorro. Nenhum jogo, brinquedo ou desenho animado a distraiu e sua vontade foi transmitida aos quatro cantos. No Natal daquele ano, uma pequena Cocker Spaniel a esperava dentro de uma caixa embaixo da árvore. O aparente medo dos primeiros meses de vida não durou e os espirros acabaram. Mas será que é sempre assim? Consultamos especialistas e descobrimos alguns truques para garantir que a convivência seja boa para todo mundo.

Ter ou não ter
É consenso entre pediatras, veterinários e psicólogos que ter um bichinho em casa pode ser muito bom para as crianças – se observados os cuidados necessários de higiene, adaptação e segurança, claro.
Para o pediatra Moises Chencinski, pai de Renato e Danilo, os animais de estimação podem influenciar diretamente no desenvolvimento das crianças.
“Além de ajudar a criar noções de responsabilidade e companheirismo, já que a criança terá sob seus cuidados um outro ser vivo, essa relação também impulsiona a coordenação motora e o gasto de energia, já que eles vão querer acariciar, brincar e correr atrás do bichinho”, diz o médico. De fato, não são raros os casos em que as crianças dão os seus primeiros passos porque estão buscando se aproximar do animal.
De acordo com a psicóloga clínica Lídia Volpato, mãe de Giovana, estudos também apontam que crianças com bichos de estimação em casa têm mais equilíbrio emocional. “Ou seja, elas são mais tranquilas, e não sentem tanto a pressão dos pais. Outro ponto positivo é a sociabilização: o animal permite que a criança possa visitar outros lugares como o parque ou o veterinário, e ter contato com donos de outros bichos”, aponta.
Porém, antes de tomar a decisão de adquirir um, é preciso considerar as necessidades da criança. Há espaço suficiente e adequado para o animal, de modo que ele não fique o tempo todo na área social da casa? A criança tem algum problema de saúde que seria agravado pelo bicho? O pediatra não tem objeções?
E ainda há as questões práticas que não podem ser esquecidas: quem ficará responsável pelos cuidados reais do animal, como alimentar e levar para passear? Você está ciente dos custos com vacinas, alimentação e veterinário? E, principalmente, existe a disponibilidade de ficar com o animal por toda a vida dele?
Quando o animal chega antes
Quando a criança nasce e ele já está lá, quem sofre mais é o bicho. “Naquele momento, o bebê tem pouca interação com o mundo, e não será capaz de entender aquele ser vivo até os quatro, cinco meses”, diz Moises.
Já o bicho, que era o “bebê” da casa até então, se depara com uma situação diferente, em que recebe menos atenção, é proibido de entrar em lugares que tinha acesso e ganha mais broncas. “Não é à toa que a maioria dos animais de famílias de recém-nascidos de repente mudam de comportamento e passam a ser mais arredios e a fazer mais barulho”, diz a veterinária Isabela Vincoletto, filha de   Sônia e Luiz. E aí sim, eles afetam as crianças, que podem se assustar com o barulho, sentir o clima de tensão e ter seu sono e alimentação prejudicados pelo estresse.
Para evitar que o cachorro entre em guerra contra o novo habitante, uma boa estratégia, segundo Isabela, é adiantar essas mudanças para antes do bebê chegar. Os animais ficam confortáveis com rotinas, por isso, interceda aos poucos. Se ele é do tipo que gosta de pular, ensine-o a se conter, sempre demonstrando que você aprecia a companhia dele.
Conforme o enxoval for sendo comprado, você pode ir apresentando o futuro membro da família ao animal. Isabela ensina: “Deixar que o pet cheire o carrinho, o berço e os brinquedos do bebê pode ajudar nesse processo de adaptação. Isso facilita o entendimento do animal, que pode ser recompensado por petiscos a cada bom comportamento.”
Quando a criança chega antes
Nesse caso, é preciso que haja adaptação das duas partes. Se o pequeno pediu por um bicho, ela precisa entender que também terá algumas responsabilidades. Pra começar, você pode convidar o seu filho a ajudar a escolher o animal. Mas sem deixar que ele escolha sozinho. É importante que a família toda participe, para que a criança entenda que ela divide a casa com outras pessoas, e que o bicho será de todos. Outra dica bacana é levar a criança junto na hora de comprar ou adotar o bicho.
Já a escolha do nome do mascote pode ser inteiramente por conta dela; dessa forma, ela pode desenvolver autonomia  Mas a psicóloga Lídia alerta para que os pais fiquem de olho na maneira como o filho trata o animal: jamais permita que ele seja tratado como um brinquedo descartável. Muitas vezes, as crianças machucam os animais simplesmente porque ninguém as ensinou que são seres vivos e, portanto, sentem dor.
Outras crianças podem assustá-los com sua euforia. Lembra da Felícia, a personagem da Looney Tunes que vivia apertando os bichos de estimação de tanto amor? Pois é, elas não fazem por mal, mas podem acabar mordidas ou arranhadas. Por isso, a psicóloga acredita que uma uma conversa com exemplos práticos é fundamental: “imagina se um amigo seu te desse um susto, você também ficaria bravo, não?”
Eduque a criança a agir sempre  de modo gentil, a fazer carinho no pet e brincar com o pet, e a corrigi-lo se ele se comportar de maneira inadequada ou não obedecer.
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