Dislexia pode ser descoberta antes da alfabetização

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O diagnóstico da dislexia, transtorno neurológico em que a criança possui dificuldades na fala, leitura e escrita, está ganhando cada vez mais espaço nos trabalhos científicos. E mais um estudo revelou que ela pode ser detectada antes da alfabetização. Na pesquisa publicada na revista Current Biology, cientistas italianos mostraram que problemas na capacidade de atenção visual podem ser um indício de que a criança terá dificuldades no futuro.

Os cientistas acompanharam crianças italianas durante três anos, da pré-alfabetização até o segundo ano. Quando ainda não sabiam ler e escrever, elas foram submetidas a um teste para avaliar sua capacidade de selecionar em um conjunto de símbolos somente aquilo que fosse pedido. Além disso, tinham de identificar sílabas e cores rapidamente. Passados dois anos dessa primeira etapa do estudo, os pesquisadores concluíram que aquelas que tiveram dificuldades nos testes de atenção visual foram as mesmas que manifestaram problemas na alfabetização mais tarde.

Outro estudo, do Children’s Hospital de Boston, EUA, em parceria com pesquisadores da Universidade de Harvard, também constatou a possibilidade de detectar a dislexia antes da alfabetização. A partir de imagens de ressonância magnética, analisaram a atividade cerebral das crianças e perceberam que há diferenças no processamento de informações. O grupo observado era formado por 36 estudantes da pré-escola, com idade média de 5 anos e meio. Eles precisaram responder a questões como: que palavras começam com o mesmo som? A partir da ressonância, os cientistas perceberam que o cérebro das crianças que poderiam ter o transtorno neurológico apresentava menor atividade em certas regiões do órgão.



Mas, afinal, qual é a vantagem de se descobrir a dislexia mais cedo? Para os cientistas, o diagnóstico antes da alfabetização pode facilitar o tratamento. “Nós acreditamos que identificar a alteração na pré-escola ou antes dela pode ajudar a reduzir os impactos sociais e psicológicos”, explica Nora Raschle, líder da pesquisa norte-americana. A educadora e psicanalista Nívea Fabrício, diretora do Colégio Graphein, em São Paulo, especializado em atender crianças com necessidades especiais, concorda. “A identificação real do problema neurológico permite que os pais e os professores montem um projeto de adaptação”, explica. E tem mais: os chamados problemas secundários, como angústia, ansiedade e alterações comportamentais, também podem ser evitados.

Sinais e tratamento 

Fique atento a alguns sinais que seu filho pode apresentar: falar tardiamente, ter problemas em pronunciar determinados fonemas, não identificar rimas em músicas, demonstrar falta de coordenação motora, não ser capaz de resolver quebra-cabeças, desinteressar-se por livros impressos, entre outros. É claro que manifestar alguns desses sintomas não significa que seu filho é disléxico, mas serve como alerta para procurar ajuda de um profissional. “O acompanhamento de neurologistas, psicólogos, psicopedagogos e fonoaudiólogos é importante. Mas o fundamental é o trabalho escolar”, diz Nivea.


A escola deve estar preparada para receber alunos com o transtorno. “Isso significa ter um planejamento exclusivo para essa criança de acordo com suas necessidades”, diz a psicanalista. Turmas pequenas são um ponto a favor da instituição de ensino – o professor estará mais disponível para acompanhar cada aluno.

A autoestima de quem tem dislexia costuma ser bastante sensível. “Não entendi!” “Não sou capaz!” Crianças com o transtorno podem fazer essas exclamações quando sentirem dificuldades no desenvolvimento da linguagem. Infelizmente, é comum que elas sejam taxadas de preguiçosas, conta a diretora. Por isso, é importante que se sintam capazes, integrem-se e percebam que podem atingir seus objetivos. É aí que o acompanhamento psicológico vai fazer muita diferença. Assim como o seu carinho e atenção também.

Fonte: Revista Crescer

 

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